O Plano Real completou, na terça-feira (01/07), 20 anos de existência.
Podemos dizer que se trata de um grande sucesso, em especial pela estabilidade
da moeda e o fim de índices altíssimos de inflação. Desde 1994, quando a moeda
foi criada pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, grandes
medidas foram tomadas para conter os altos índices de inflação e buscar a
estabilidade econômica, uma vez que, nos anos que antecederam o plano, as
variações mensais de inflação chegavam até a 82,39%, segundo o IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística). E o resultado foi positivo.
Hoje, a realidade é muito diferente; até maio, o índice acumulado do ano
estava em 3,33% e, em junho, a variação ficou em 0,60%, segundo o IPCA (Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). A inflação oficial encerrou 2013 em
5,91%. Contudo, mesmo com toda essa melhoria, ainda observamos a falta de
capacidade da população de se planejar. Nossos jovens de hoje não passaram
pelos antigos problemas inflacionários e, por isso, não conseguem visualizar a
importância de reter, poupar ou guardar dinheiro para uma vida saudável e
sustentável financeiramente.
Nossas famílias não fazem outra coisa senão comprar impulsivamente;
estamos vulneráveis aos apelos publicitários. Mas, se as compras fossem feitas
com nosso próprio dinheiro, estaria tudo certo, porém, grande parcela dessas
compras é feita por meio de crédito, e é aí que está o problema.
No entanto, a estabilidade da moeda Real trouxe de volta exatamente à
oportunidade de criar reservas. Mas, se fizermos uma análise fria, será mesmo
que nossa população está poupando? As pesquisas mostram que não, pois apontam
um crescimento do endividamento das famílias brasileiras e, como consequência,
da instabilidade financeira.
É preciso políticas públicas que se atentem para um dos problemas que
vem afligindo milhões de brasileiros: o endividamento descontrolado que leva a
inadimplência. Isto porque estar endividado não é um problema, desde que se tenha
o controle absoluto dos ganhos e dos gastos e, em especial, do pagamento deles.
Um dos fatores que contribuíram para esse aumento sucessivo do endividamento é,
sem dúvida, a facilidade de crédito que, se usada com consciência, não seria um
problema. Mas as concessões de limites muito acima da capacidade de pagamento é
uma bomba relógio, que resultará em uma grande bolha da inadimplência, por
isso, é preciso investir em educação financeira.
Precisamos fazer uma boa reflexão desses nossos últimos 20 anos, analisar
como a população se encontra e as importantes evoluções nas vidas financeiras.
É claro que houve sim uma melhora em relação ao padrão de vida de grande parte
das famílias brasileiras, mas a que preço?
É importante desenvolver a educação financeira, possibilitando que a
população faça um diagnóstico e descobrindo a sua real e verdadeira situação em
relação ao dinheiro: endividado/inadimplente, equilibrado financeiramente ou
investidor. Mas, independente de qual seja a situação, é preciso atenção, atitude
e muita inteligência em relação ao dinheiro que se ganha e gasta. É preciso se
conscientizar e mudar agora o comportamento, pois, senão, quando finalmente a
população se atentar, poderá ser tarde demais para recuperar o tempo perdido. É
importante que se pense nisso e projete os próximos 20 anos, investindo na
educação financeira, garantindo um futuro financeiramente sustentável.
Por: Reinaldo Domingos, presidente da DSOP Educação Financeira e da
Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin)
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